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Indigo Intimações da morte | Erin Mills Town Centre
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Não haveria título mais apropriado para esta coletânea de contos de Felix Timmermans. Em todos, a Morte -- com maiúsculas não de um nome próprio, mas da presença insuperável do que não compreendemos -- manda seu aviso: o tempo das manhãs chegou ao fim. Deus e o Diabo estão aqui, seus sacerdotes em silêncio ou em ladainha, seus amantes e seus suicidas, suas águas negras entupindo porões e pradarias; orvalhos e neblinas entupindo a vista. Apenas as árvores estão secas, retorcendo a planície com galhos descobertos a compor a imagem do outono flamenco. Mas eles nem confortam nem assustam, estão aqui perdidos como todos nós. Quem comanda os humores e os ritmos destas narrativas é mesmo a dona do relógio e da foice. O conto O vaso branco é sintomático: o protagonista foge da confusão da cidade e refugia-se num mosteiro trapista, para uma jornada de autoconhecimento. O que encontra no silêncio do campo, entretanto, é o medo mais primitivo: o da própria mortalidade. O que deveria ser uma expansão de consciência, e portanto uma evolução dos sentidos, torna-se retração ao instintivo de autopreservação. A única imagem que o resgata do terror desta descoberta é a beleza minimalista de um vaso branco em seu quarto (imagem que trazemos na quarta capa), beleza cuja existência se ergue apenas sobre a fragilidade de uma linha. Como sua própria vida, circunscrita pela borda entre o ser e o não mais; a imagem remete ao poema onze do Tao Te Ching, que também traz o exemplo de um vaso para discutir o que vemos (ser) e o que não vemos (não-ser); no sentido de que é sempre o vazio que nos governa, que nos move ou que nos interessa, quando paramos com nossos próprios botões. Embora jamais seja fútil, a beleza que nos atrai e que nos distrai do terror da vida não pode vencer. No fim das contas -- como é o caso de qualquer intimação da Morte -- o vazio que nunca veremos é soberano.
Não haveria título mais apropriado para esta coletânea de contos de Felix Timmermans. Em todos, a Morte -- com maiúsculas não de um nome próprio, mas da presença insuperável do que não compreendemos -- manda seu aviso: o tempo das manhãs chegou ao fim. Deus e o Diabo estão aqui, seus sacerdotes em silêncio ou em ladainha, seus amantes e seus suicidas, suas águas negras entupindo porões e pradarias; orvalhos e neblinas entupindo a vista. Apenas as árvores estão secas, retorcendo a planície com galhos descobertos a compor a imagem do outono flamenco. Mas eles nem confortam nem assustam, estão aqui perdidos como todos nós. Quem comanda os humores e os ritmos destas narrativas é mesmo a dona do relógio e da foice. O conto O vaso branco é sintomático: o protagonista foge da confusão da cidade e refugia-se num mosteiro trapista, para uma jornada de autoconhecimento. O que encontra no silêncio do campo, entretanto, é o medo mais primitivo: o da própria mortalidade. O que deveria ser uma expansão de consciência, e portanto uma evolução dos sentidos, torna-se retração ao instintivo de autopreservação. A única imagem que o resgata do terror desta descoberta é a beleza minimalista de um vaso branco em seu quarto (imagem que trazemos na quarta capa), beleza cuja existência se ergue apenas sobre a fragilidade de uma linha. Como sua própria vida, circunscrita pela borda entre o ser e o não mais; a imagem remete ao poema onze do Tao Te Ching, que também traz o exemplo de um vaso para discutir o que vemos (ser) e o que não vemos (não-ser); no sentido de que é sempre o vazio que nos governa, que nos move ou que nos interessa, quando paramos com nossos próprios botões. Embora jamais seja fútil, a beleza que nos atrai e que nos distrai do terror da vida não pode vencer. No fim das contas -- como é o caso de qualquer intimação da Morte -- o vazio que nunca veremos é soberano.
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