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Vozes da ribanceira
Indigo
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Vozes da ribanceira
By None
Current price: $4.69
Original price: $5.22


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Com sua mochila às costas, chega o hippie Tenório ao Poti Velho, o bairro mais antigo de Teresina, localizado na confluência dos rios Parnaíba e Poti, muito afastado do centro da cidade. São fins dos anos 1970. Com acolhida do líder dos moradores, ele se instala num pequeno espaço comunitário. Sua chegada causa impacto: seja pela beleza do homem, seja por sua maneira libertária de ser. Tipo alourado, exibe tatuagem no muque direito e usa um bracelete artesanal, chamativo, no pulso esquerdo. Tem cabelos longos, penteados em rabo de cavalo, vive quase sempre sem camisa, confecciona e vende bijuterias. Afora o sotaque recifense, carrega gírias no linguajar, que é reticencioso e, por vezes, intelectualizado a denotar que procede de classe alta. Exalta a paz, o amor e a liberdade. Diz e faz coisas que despertam curiosidade: compõe e declama poemas, toca violão, canta, fotografa, enfia-se no meio da gente simples e pobre que é a maioria da população do bairro , e com facilidade assimila costumes locais; namora e transa com as moças casamenteiras do lugar. A partir do seu relacionamento amoroso com uma radialista ativista política, desafiadora do regime militar , muito querida de toda a gente do Poti Velho, passa o forasteiro a ter a estima de repentistas, oleiros, pescadores, vazanteiros e de vários outros tipos característicos da povoação. Por outro lado, desperta a desconfiança de várias pessoas, entre estas: o soldado raso, que se diz descendente de nobres, mas é pau-mandado de poderosos; o líder político, com vários mandatos de vereador, praticante da velha política de favores; e o latifundiário, dono das terras, que arrenda aos vazanteiros e destes cobra valores exorbitantes. Tais pessoas o acusam de maconheiro, de comunista, e o perseguem, utilizando-se do aparato policial subserviente e autoritário a um só tempo.De posse desse quadro sociológico, com leveza na linguagem e alguma ironia nas sentenças, o autor fabula intrincadas situações, imprimindo-lhes verossimilhança intensa, com o propósito de causar reflexões, mas, sobretudo, de presentear o leitor com informações curiosas e uma prazerosa leitura.
Com sua mochila às costas, chega o hippie Tenório ao Poti Velho, o bairro mais antigo de Teresina, localizado na confluência dos rios Parnaíba e Poti, muito afastado do centro da cidade. São fins dos anos 1970. Com acolhida do líder dos moradores, ele se instala num pequeno espaço comunitário. Sua chegada causa impacto: seja pela beleza do homem, seja por sua maneira libertária de ser. Tipo alourado, exibe tatuagem no muque direito e usa um bracelete artesanal, chamativo, no pulso esquerdo. Tem cabelos longos, penteados em rabo de cavalo, vive quase sempre sem camisa, confecciona e vende bijuterias. Afora o sotaque recifense, carrega gírias no linguajar, que é reticencioso e, por vezes, intelectualizado a denotar que procede de classe alta. Exalta a paz, o amor e a liberdade. Diz e faz coisas que despertam curiosidade: compõe e declama poemas, toca violão, canta, fotografa, enfia-se no meio da gente simples e pobre que é a maioria da população do bairro , e com facilidade assimila costumes locais; namora e transa com as moças casamenteiras do lugar. A partir do seu relacionamento amoroso com uma radialista ativista política, desafiadora do regime militar , muito querida de toda a gente do Poti Velho, passa o forasteiro a ter a estima de repentistas, oleiros, pescadores, vazanteiros e de vários outros tipos característicos da povoação. Por outro lado, desperta a desconfiança de várias pessoas, entre estas: o soldado raso, que se diz descendente de nobres, mas é pau-mandado de poderosos; o líder político, com vários mandatos de vereador, praticante da velha política de favores; e o latifundiário, dono das terras, que arrenda aos vazanteiros e destes cobra valores exorbitantes. Tais pessoas o acusam de maconheiro, de comunista, e o perseguem, utilizando-se do aparato policial subserviente e autoritário a um só tempo.De posse desse quadro sociológico, com leveza na linguagem e alguma ironia nas sentenças, o autor fabula intrincadas situações, imprimindo-lhes verossimilhança intensa, com o propósito de causar reflexões, mas, sobretudo, de presentear o leitor com informações curiosas e uma prazerosa leitura.


















